Caro leitor fantasma,
peço desculpas por reaparecer de tempos em tempos. Sei que deveria vir com mais freqüência, mas percebi que ao longo de minha caminhada desaprendi a expressar meus sentimentos de forma clara.
Muita coisa aconteceu desde minha última aparição por aqui, mas algo permanece o mesmo desde que era pequena: a sensação de ser objetificada.
Mesmo com longos anos de terapia, ainda é muito difícil olhar pra mim mesma e não me ver como um objeto qualquer. Desde muito nova eu fui vista como adorno sexual masculino.
A primeira vez aos 6 anos. A segunda, aos 8. E assim sucedeu até chegarmos no momento presente.
Hoje, aos 26 anos, encontro-me no auge de minha angústia e de questionamento da própria existência. Mesmo sob os cuidados de uma terapia por longos anos, ainda tenho dificuldade em me enxergar como ser humano.
.
.
.
Estou a 40 minutos tentando colocar em palavras a bagunça que está na minha mente, mas como sempre... acabo apagando e reescrevendo, várias e várias vezes até que saia minimamente inteligível.
Me envolvi com um rapaz mais jovem, de novo. Parece até que estou revivendo meu passado... é estranho e nostálgico ao mesmo tempo. Ele tem aquele frescor dos 20 e poucos anos, aquela imaturidade condizente com seu momento e que, de alguma forma, torna-se até charmosa. Olho pra ele e um calorzinho gostoso me brota no peito, uma vontade de abraçar esse novo.... mas esse sentimento só dura enquanto estamos fisicamente presentes. No momento em que coloco meu pé de volta a minha realidade, percebo que novamente me sujeitei à ser objetificada por um homem mais novo sob a perspectiva de adquirir uma utilidade para mim.
O choque é doloroso, intenso e muito real.
A diferença numeral não é grande, mas a de experiência é gigantesca. Enquanto ele está no auge de sua juventude explorando a vida, seu corpo, seus limites e suas metas, eu me encontro no auge de minha maturidade, de questionamento do meu 'eu' e de reavaliação de posturas perante a vida. Hoje percebo que não posso exigir de alguém mais do que essa pessoa está disposta a me oferecer, muito menos algo que vá além de sua capacidade. Talvez seja por isso que a frustração, quando surge, dura pouco.
Talvez eu tenha aprendido algo com meus relacionamentos passados. Talvez.
.
.
.
Que surpresas e aprendizados a vida me reserva com isso?
Ainda não sei, mas tenho uma leve desconfiança.
Prometo voltar e contar sobre meu processo de transformação.
Eu demoro, mas sempre volto.
Com carinho,
T.
Nenhum comentário:
Postar um comentário